não me lembro bem qual era o objetivo
sábado, 28 de março de 2020
alcácer do sal
não me lembro bem qual era o objetivo
sexta-feira, 27 de março de 2020
quarta-feira, 25 de março de 2020
Gerúndio [ergo sendo]
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| ? (@amasya3535) |
foi
violando regras e
auscultando donzelas e
jogando com os ditados e
modernizando noivados e
enganando os desenganados e
lembrando
‘ó que sonho estranho sonhei noite passada’
(dentro do coletivo viu o tempo
de hábito franciscano e cabeça raspada
enquanto ao seu lado
um romeno apressado lhe garantia
que era seu parente distante
via obscuro amanuense romano)
e
desesperando a próxima estação e
descontando seu parco dinheiro e
dispensando quantos anos já havia e
inalando olhares e
roubando fumaças e
ouvindo os sinos que arranham
os ouvidos na madrugada e
depois deles os galos
sofejando seus azedos solfejos
“tá na hora! já passou!”
tudo por assim dizer
em termos mais precisos
gerundiando
não chegando não passando
tudo sendo
gritou
“mãe!”
sua mãe preocupada acorreu na madrugada
“filho! é só mais um pesadelo!”
que ele lha explicou
“não mãe! é gerúndio!
se falássemos o tupi
eu dormia em paz”
e a mãe imaginando consolar
“filho, o tupi tem três tempos gerundiais”
pois
não prestando muita atenção
[na paisagem da janela
na própria sorte]
desconsiderando nacionalidades
destemendo gitanos
acordou zonzo e só
em um trem andaluz
indo
o Gerúndio de sempre
andrejcaetano
quarta-feira, 18 de março de 2020
sábado, 14 de março de 2020
congonhas
quinta-feira, 12 de março de 2020
fala [orides fontela]
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| @raafat_saleh |
segunda-feira, 9 de março de 2020
domingo, 1 de março de 2020
bicho-preguiça
bicho-preguiça
sabe nadar nonada
sabe
esvaziar vazio
não
tem vontade de descer
nem
de será
[se
escrevesse escrevia de sabiá
de
manga rosa espada ubá
da
alegria de carnabalizar
das
águas de pedra do rio cipó
descendendo
sem nada significar]
bicho
todo-metáfora sabe sobremetaforizar
‘isto é apenas uma face do cubo de gelo’
e
gargalha
que mera admiração pelo absurdo
[nada
sabe dos significados abatidos em mesas de bar
em
reuniões decentes e encontros notórios
em antigas
salas de jantar
em
aniversários casamentos e velórios]
ai
enorme bicho-preguiça
abraçado
a um galho de alguidar
fumando
fumaça de narceja
bicho todo só-olhar
fala de longe lindas falas lentas
sem
as iniciar
a suspirar a fumaça de seu narguilé
analisa as formigas transeuntes
não tem pressa
ali sempre
o jantar a passear
ai
bicho maravilhoso com pulsão tão de vagar
que
vontade de te abraçar
domingo, 16 de fevereiro de 2020
livreto da inquietação V
escrever do padecimento
é o padeiro fazer tijolo
enganadamente
enganando o fazer e o tijolo
mistura claras de idealização em farinha de fatos
adiciona óleo de miragem a essência de dissímulo
salpica palavras adocicadas sobre incerteza
ocultada
coloca para assar um ano no forno das distâncias
eis o pão da angústia
puro delírio sintático
estático e semovente
distorcido e condensado
domingo, 9 de fevereiro de 2020
fique
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
livreto da inquietação IV
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| Francesca Woodman |
o prodígio da palavra é tanto transmutação
[atena despeitada aracne
virada aranha]
quanto nulificação
[orestes assassino da mãe absolvido por minerva]
o prodígio da palavra é incontível desvelo do real
[picada trilha estrada tempo
cheiro vento]
é paralisação perante frondosa bifurcação
[the road
taken – the road not taken]
o prodígio da palavra é escape
por corredores emaranhados
llenos de breves trechos
intermináveis sempre
o inatingível da palavra nunca
dois advérbios de tempo atemporais
um perpetuamente [cela com a porta escancarada]
o outro jamais [porta escancarada para uma cela]
o prodígio dela é tão
que os vaidosos da palavra
as usam para queimar fogueiras
e os mendigos da palavra
as usam para desconstruir os iglus
onde feneciam congelados
o prodígio da palavra é uma arapuca:
preces a bifurcações
preços
prazos e mata-burros
sábado, 28 de dezembro de 2019
livreto da inquietação II
aceitar
é preciso
a brandura das ondas a virulência
a colmeia do mel o mel da abelha
as férias os pirilampos
compreender
não é preciso
pessoa escreveu um livro inteiro desassossego
[composto
por um ajudante de guarda-livros]
eu
engulo suspiros
regurgito confusão
como
quase qualquer pessoa
confiada à aleatoriedade marítima
das marolas aos vagalhões
bem
poderia escrever um livro de sublimes inquietações
mas
me jogo pulo salto caio levanto pulo salto caio levando
ao
soprar de nem sei quem
pairo no éter
pena presa no vento
no
ar invagino
os bofes para fora
e em vez do desassossego sossegado
[e ergo o livro profundo e vão]
espero
que a lama estenda suas asas
e lave a embarcação
espero
com o coração na mão
à mostra
sem pudor
batendo o bumbo do mar batendo no chão
para quem quiser olhar
para quem quiser ver
o bicho bobo das ideias
da propostas das sugestões
me assombra como alguém preso no ar
do
sopro de outrem
esteja
tão bem aprumado
com o coração sem preço
ali na mão
de toda sexta feira
livreto da inquietação I
Essa planta é a alegria dela, e também por vezes a minha.
- os não-profissionais da vida e de todos os ramos de atividade, os que balançam o tronco para lá e para cá ou encaixam o queixo entre o polegar e o indicador da mão direita (esses são os destros) e colocam o olhar acima do nível do nada quando tudo o que têm a fazer é saber o som e dar o tom de um sim ou de um não e diante do nada ad mirante arrastam-se e ao saco do mundo ao descerem do pêndulo ou lépidos e fagueiros como subiram descem e jogam o saco do mundo na primeira lixeira que passa e comentam com o primeiro transeunte que encontram que gostariam mas talvez não gostem [I do prefer os amadoras; sinceras, são profissionais mesmo na dúvida]
- alguma coisa que vem lá de longe, de uma dimensão pansexual, um quer-não-quer que quer tudo, doucement pantagruélico, ou um quer que parece que não ou um não quer que parece que sim, assim um pingue-pongue (tênis de mesa não é) sem bolinha ou mais, muito mais precisamente, com muitas bolinhas invisíveis
- uma coisa intangivelmente emasculada que vem de bién cerquita, vraiment de dentro, profissional, é-não é, resolve logo pentejo, que, suscetível, pobrezito, se enreda e se embanana e mesmo patinando na pista de pouso levanta voo e voa a esmo sua imaginação intuitivamente poderosa e míope e vê cascalhos e narcisos e vê a desvontade dos não-profissionais e vê segredos nada secretos e vê francesca-lente fissuras onde elas pareciam não ter como existir, francescamente metade ou parte de uma figura sumida numa parede, a outra parte ou metade totalmente inteira e vera e sempre (ou quase sempre) algum espelho [she, a homem de pau, I adore, she gets exactly what messes me up which I guess is myself when what drives me does not drive anyone else in particular]
- la famiglia mediana autoajuda orlando lisboa aruba em seus assuntos-negócios, seu impressionismo paracientífico, seus sentimentos genéticos habitando o habitat do habitus da mundanidade da mais alta relevância, le famiglie frações da Klasse que lacrimeja na ágora ao som sertanejo universitário e esquia na encosta trágica da história contemporânea no exato instante em ela fede a um palmo de seu enorme sexo-nariz
- o instagramático semicircuito beletrista de liubliana, de simpática semântica e comportada sintática però sem dramática alguma
- mi lack of pazienza, seasickness mismo, con mis tentativas insinceras de não trupicar para não cair no pé do pai e deixar escapar pela boca o que em mim entrou ou deixei (deixei?) entrar pelos poros pessoais e sociais ou, talvez, para fazer jus ao profissional que sou, tudo em mim que total ou parcialmente está nos bullets acima
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| Francesca Woodman |
domingo, 1 de dezembro de 2019
tango
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| Eric Kellerman |














