sábado, 26 de julho de 2014

primeiro poema do ano

para o
primeiro
poema do
ano
são necessárias novas palavras
as mais desgastadas as mais revelantes
                        [o maracujá
desce o córrego
                        de ribeiras
cimentadas]
pois a luz não é o alvorecer
o crepúsculo não endoida
a poesia não conforta
[apenas a possibilidade de uma pena]

inocentes de nostalgias as crianças crescem
esplendores de energia
rumam alegres para o sofrimento
[não há renúncia sem a sua pedagogia]

sofram e sejam
crianças!
renunciem ao tempo vindouro
firmes e gratas
renunciem às inócuas proteções
hoje e sempre ineptas
sejam todos os dias diariamente
crianças

andrejcaetano

quinta-feira, 3 de julho de 2014

novíssimas poéticas avoengas

ovas que não dão peixes
mesmíssimas malditas
[irritam-se
 as escritas]

velhíssimas novas nos enfeixes
            novíssimas ditas nos enfeites
troca-trovas de desditas
            trovas-ocas ocas chocas

ortocanônicas
confabuleias juramentosas
remuneram-se ventríloquas
autocongratulatórias

lei projeto e fábula
páginas kilocalóricas
ver-o-peso e desova
nas orelhas as devidas loas

capa
brônquios bronquíolos alvéolos
contracapa
  e nada do numerário sujo da alma
andrejcaetano