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| @andrejcaetano |
o entardecendo
o anoitecendo
entreteciam-se
desfazendo-se
teciam
uma noite de nipônico outono
descia
uma longa rua plana
suave de curvas
à direita
a água no canal gorgolejava
suavizante som de sua calma
à esquerda
apenas casas
casas apenas
pouco automóvel pouca a gente
não me recordo para onde me
dirigia
não me lembro se eu me
dirigia
ouvia e mirava tão semente
que nada ficava na despensa
para pensamento
escureceu
um pequeno santuário
apareceu
um pequeno santuário com seu grande sino
budhá xintô
atravessei a rua para a
prece de praxe
e de gosto
sagrada
o pequeno santuário estava
fechado
um portão de madeira se engatava
a uma mureta acobreada
onde se afixavam folhas de papel
avisos ou poemas
havia uma
nela
linhas versos verticais
nas duas primeiras estava
inscrito
‘se vais sozinho e estás em
boa companhia
então devem ser considerados dois’
sorri
do sorrir perene
prossegui
indo a mente
à forma mais comum e subestimada
de um povo inteiro se despedir
‘vai com Deus’
um povo inteiro
insciente
budista das despedidas
sorria
andrejcaetano

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