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domingo, 15 de dezembro de 2024

Gerúndio sumido


Gerúndio sumido. tempo que não aparece. nem telempaticamente como tantas vezes. falta dele. ele expira as coisas já expiradas e inspira as ainda não delineadas. escrevo ele quando vem o escrevente mim e sai o almocreve eu. ele vê e diz ‘tu me tomas como a um tomate uma amora abóbora um vegetal de minha própria safra. tu sabes que não planto nada.’ ele que desligue o que quiser. o que escrevo é colheita do que ele espalha. admiração. despeito também. ele apareceu por aqui há não tanto tempo assim. apareceu em um bilhetinho em papel azul dentro de um envelope encontrado na portaria: ‘o japão é um lugar horrorosamente maravilhoso; meu queixo caiu em shinjuku city e eu não o procurei; prossigo sem queixo.’ pensei – não pensei nada, me veio – que Gerúndio encontrou seu lugar – força de expressão, o mundo é o único lugar que Gerúndio consideraria seu – qualquer localização um teco mais precisa se lhe cairia jaca da árvore das geografias. enfim, pensei que um lugar horrorosamente maravilhoso é muito diferente de um lugar maravilhosamente horroroso. um é sincero por necessidade, o outro é o caolho do caótico; um é um fundamento, o outro são apontamentos; um são santuários ao vento, o outro é um templo; um é menino déspota, o outro é semblante de falso libertário; em um se perde o queixo para sempre, no outro sempre é sempre temporariamente. Gerúndio deve estar a escorrer pelo japão já um seixo. já hablando algum nihongo. já senhor dos trens  como outrora fora e depois a cada agora  a se plasmar em paisagens omikujis e gentes. do escurecer até a aurora. prossiga ele. inspire mergulhe submerja. reemerja expire gargalhe. e diga nihongamente à geiko ‘meu queixo te deixo’.

andrejcaetano 

? (@Carpediemm333)

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